Proalminas certifica 34 indústrias têxteis que adquiriram 23,8 mil toneladas de algodão mineiro

Empresas participantes receberam R$ 143,2 milhões em créditos presumidos de ICMS no ciclo 2025/2026; resultados foram apresentados durante evento, em Belo Horizonte. Foto: Lício Pena | acervo Amipa.

O Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas) certificou 34 indústrias têxteis pelo cumprimento dos compromissos estabelecidos para o ciclo 2025/2026. A entrega dos certificados ocorreu na quinta-feira (5), durante o evento promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), em Belo Horizonte (MG), com a participação de representantes do governo estadual e do setor produtivo.

Entre 1º de abril de 2025 e 31 de março de 2026, as empresas adquiriram 23.853,90 toneladas de algodão no âmbito do Acordo de Cooperação dos Signatários do programa.

O Proalminas estimula as indústrias têxteis do estado a adquirir algodão produzido em Minas Gerais por cotonicultores associados à Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa).

Segundo Feliciano Nogueira de Oliveira, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa e coordenador do Proalminas, as 34 indústrias certificadas atenderam aos requisitos previstos no Acordo de Cooperação dos Signatários firmado entre o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFT-MG), Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas e de Curtimento de Couros e Peles no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas) e a Amipa, com anuência da Secretaria.

Entre as exigências da legislação do Proalminas estão a aquisição de algodão mineiro com certificação de origem e qualidade atestada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), o recolhimento das taxas previstas no Acordo e a apresentação de certidões negativas de débitos estaduais e federais por parte das indústrias participantes.

Para o presidente da Amipa, Daniel Bruxel, a continuidade do programa permite ao cotonicultor planejar a produção e a comercialização da safra, especialmente diante dos custos elevados da atividade e da necessidade de manter a competitividade.

“Em Minas Gerais, estruturamos uma relação comercial madura entre o agricultor e a indústria. Isso deu segurança para o cotonicultor investir na produção. Hoje entregamos uma fibra de alta qualidade e temos um trabalho que contempla desde o produtor empresarial do Cerrado até a agricultura familiar no Norte de Minas”, afirma Bruxel.

A aproximação entre produtores e indústrias também permite discutir as características da fibra exigidas pelo mercado. A Amipa promove encontros técnicos e ações de certificação que envolvem cotonicultores, representantes da indústria têxtil e empresas ligadas ao desenvolvimento de variedades de algodão.

Produção e qualidade da fibra

Minas Gerais produziu 82.083 toneladas de algodão em pluma na safra 2025/2026, em uma área cultivada de 39,8 mil hectares, segundo dados da Amipa. O estado é o quarto maior produtor brasileiro de algodão e o maior da Região Sudeste.

Na mesma safra, análises realizadas pela Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton), laboratório da Amipa, apontaram que 97,3% das amostras processadas apresentaram comprimento de fibra superior a 1,11 polegada, enquanto 97,9% registraram resistência acima de 28 g/tex.

Esses indicadores são utilizados na avaliação da qualidade da pluma e no atendimento às especificações técnicas da indústria têxtil mineira. A classificação instrumental também fornece informações que auxiliam na identificação dos lotes e na comercialização da fibra.

Durante a solenidade no dia 05 de novembro, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, destacou a importância dos investimentos realizados em parceria com as entidades do setor para o desenvolvimento da cotonicultura mineira.

“A soma dos esforços e os recursos disponibilizados ajudaram a viabilizar tanto a criação quanto a manutenção dos diversos projetos para o suporte técnico, tecnológico e administrativo para o produtor mineiro. Isso tem sido fundamental para que a qualidade do algodão mineiro se destaque cada vez mais no cenário global”, afirma Fernandes.

Os recursos financeiros do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Fundo Algominas), oriundos das regras do Proalminas e administrados executivamente pela Amipa, financiam projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e melhoria da qualidade da fibra, entre outras ações voltadas à cotonicultura mineira.

Perspectivas para a cotonicultura mineira

Entre as prioridades do governo estadual estão a ampliação do número de indústrias participantes do Proalminas, os investimentos em infraestrutura de classificação da fibra e o incentivo à adoção de práticas agrícolas sustentáveis.

O governo também avalia alternativas para manter os mecanismos de apoio à cotonicultura diante da reforma tributária, que prevê a substituição gradual dos benefícios fiscais de ICMS. Segundo Thales Fernandes, a intenção é preservar a competitividade do algodão mineiro, com medidas voltadas à eficiência produtiva, à qualidade da fibra e à inovação.

Para a safra 2026/2027, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta uma produção estimada de 86,4 mil toneladas de algodão em pluma em Minas Gerais. Caso a projeção se confirme, o volume representará crescimento de aproximadamente 5,3% em relação à safra anterior.

Na avaliação de Daniel Bruxel, há possibilidade de expansão das lavouras em regiões como o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha. O presidente da Amipa ressalta que esse crescimento depende de assistência técnica, desenvolvimento de variedades adaptadas às condições locais e condições favoráveis à comercialização.

Sobre a Amipa

Fundada em 1999, a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), sediada em Patos de Minas (MG), é uma entidade de utilidade pública, representativa e focada em impulsionar a inovação e a sustentabilidade da cotonicultura no estado. Por meio de suporte técnico contínuo e disseminação de tecnologias produtivas, a Associação consolida Minas Gerais como o maior produtor do Sudeste e referência nacional em produtividade de pluma, elevando a competitividade do algodão mineiro no Brasil e no exterior.

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