Minas Gerais chegou ao Dia Mundial do Algodão, celebrado na quarta-feira (7), com uma produção de 82.083 toneladas de algodão em pluma na safra 2025/2026. A cultura ocupa 39.839,60 hectares no estado e registra média de produtividade de 330 arrobas por hectare, segundo dados da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa). Minas Gerais é o quarto maior produtor de algodão do país e o maior da região Sudeste.
O Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas) contribuiu para organizar a cadeia produtiva no estado e fortalecer a relação comercial entre cotonicultores e indústria têxtil. Ele reúne mecanismos de fomento ao algodão, entre eles incentivos à comercialização da pluma e à produção fabril. Ainda no âmbito do Proalminas, a Amipa também administra recursos financeiros do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Fundo Algominas) destinados à execução de projetos com atuação em áreas como qualidade da fibra, biotecnologia, capacitação técnica, pesquisa e desenvolvimento, boas práticas agronômicas e sociais e apoio à agricultura familiar.
“Em Minas Gerais, estruturamos uma relação comercial madura entre o agricultor e a indústria. Isso deu segurança para o cotonicultor investir na produção. Hoje entregamos uma fibra de alta qualidade e temos um trabalho que contempla desde o produtor empresarial do Cerrado até a agricultura familiar no Norte de Minas”, afirma Daniel Bruxel, presidente da Amipa.
Qualidade da fibra
Os indicadores de qualidade da safra 2025/2026 apontam resultados positivos para a fibra mineira. Nas análises realizadas pela Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton), laboratório de propriedade da Amipa, 97,3% das amostras processadas apresentaram comprimento acima de 1,11 polegada e 97,9% registraram resistência superior a 28 g/tex. No micronaire, indicador relacionado à finura e à maturidade da fibra, 94,9% das amostras ficaram na faixa de 3,5 a 4,9.
Na comparação com a safra anterior, houve avanço principalmente no comprimento da fibra e no micronaire. Segundo Anicezio Resende, classificador de algodão e gerente da Minas Cotton, as condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura, somadas ao manejo das lavouras, favoreceram os resultados. Já as chuvas no período de colheita reduziram a refletância (Rd) de parte da fibra e dificultaram a formação de lotes homogêneos.
“A qualidade do algodão começa no campo, passa pela algodoeira, é comprovada no laboratório e termina na confiança de quem compra”, afirma Anicezio. Para ele, os índices de comprimento e resistência registrados nesta safra atendem a parâmetros importantes para a comercialização da fibra junto à indústria têxtil.
Biotecnologia no manejo de pragas
Na área de controle biológico, a Fábrica de Produtos Biológicos (Biofábrica Amipa) produz agentes utilizados no manejo das pragas do algodoeiro e de outras culturas. Entre os macrorganismos oferecidos aos produtores estão o Trichogramma pretiosum®, Crisopídeo Amipa® e Catolaccus Amipa®. A expectativa da Associação é que as soluções produzidas pela unidade atendam cerca de 70 mil hectares em 2026.
Fauze Elias Pena de Sairre, gerente da Biofábrica Amipa, explica que o controle biológico oferece ao produtor uma alternativa para reduzir o uso de inseticidas químicos e preservar organismos benéficos presentes na lavoura, como inimigos naturais das pragas e polinizadores. O manejo biológico também ajuda a diversificar as ferramentas de controle diante da perda de eficiência que pode ocorrer com o uso recorrente das mesmas moléculas químicas.
“O intuito da Amipa com a produção dos biológicos da Biofábrica é oferecer ao produtor uma ferramenta a mais para o controle das pragas do algodão”, afirma Fauze.
Produção sustentável
Na safra 2025/2026, 13 propriedades mineiras foram certificadas pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e mantêm o licenciamento internacional concedido pela Better Cotton Initiative (BCI), titulações que atestam para o mercado global além da qualidade da fibra, os princípios de sustentabilidade na produção. A Amipa acompanha os produtores desde o diagnóstico das propriedades até a preparação para as auditorias. Os protocolos incluem o cumprimento de rigorosos critérios trabalhistas e ambientais, boas práticas agrícolas, saúde do solo, destinação de resíduos e gestão da propriedade.
Agricultura familiar no Norte de Minas
No Norte de Minas, o Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras de Catuti (CEDITAC) dá suporte à produção da agricultura familiar, especialmente no beneficiamento da pluma. Administrado pela cooperativa dos produtores familiares de Catuti, o complexo – edificado pela Amipa em parceria com o Proalminas e Agência Brasileira de Cooperação (ABC) – conta com usina de beneficiamento, balança rodoviária, barracões, sala de reunião e sede da cooperativa.
Entre outras iniciativas desenvolvidas na região está a irrigação de salvamento, implantada para reduzir os impactos dos períodos de déficit hídrico. Com recursos do Fundo Algominas, a Amipa instalou sistemas de irrigação e tanques escavados revestidos com geomembrana em 30 áreas de diferentes municípios. Cada área funcionou como Unidade Técnica Demonstrativa (UTD), permitindo que produtores vizinhos acompanhassem os resultados da tecnologia.
“A produtividade média regional antes dessa tecnologia ficava em torno de 50 arrobas de algodão em caroço por hectare. Após a instalação da irrigação de salvamento, a produtividade saltou para 190 arrobas por hectare”, afirma Lício Augusto Pena de Sairre. Segundo ele, a tecnologia passou a ser adotada como manejo prioritário na região e contribui para dar mais segurança à produção e à renda das famílias.
Cooperação internacional
A Amipa também participa de projetos de cooperação técnica com Senegal, Benin e Mali, voltados à transferência de tecnologias em manejo agronômico, qualidade da fibra e controle biológico. Os projetos são capitaneados pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), com recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e gestão do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
No Senegal, a Amipa coordenou Unidades Técnicas Demonstrativas por quatro safras consecutivas, com introdução de variedades brasileiras e novos manejos adaptados às condições locais. No Mali, coordenou a implantação de um laboratório para produção de macrorganismos voltados ao controle biológico de pragas. No Benin, participou da implantação de um laboratório de análise de fibras, hoje referência para países da África Ocidental.
A Amipa também representa o Brasil no Large Farm Week, da Better Cotton, que reúne visitas e diagnósticos em grandes fazendas, usinas algodoeiras e indústrias têxteis. Na Turquia, a participação abriu conversas com a indústria local sobre o uso do algodão brasileiro. No Uzbequistão, foram identificadas possibilidades de uma futura cooperação técnica na produção de biológicos.
“Além das tecnologias de manejo, qualidade da fibra e produção de biológicos, o modelo de organização e defesa do setor e o associativismo empreendedor da Amipa são exemplos que despertam interesse de outros países produtores de algodão”, afirma Lício.
É o algodão de Minas Gerais promovendo desenvolvimento no estado, no Brasil e no mundo.
Sobre a Amipa
Fundada em 1999, a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), sediada em Patos de Minas (MG), é uma entidade de utilidade pública, representativa e focada em impulsionar a inovação e a sustentabilidade da cotonicultura no estado. Por meio de suporte técnico contínuo e disseminação de tecnologias produtivas, a Associação consolida Minas Gerais como o maior produtor do Sudeste e referência nacional em produtividade de pluma, elevando a competitividade do algodão mineiro no Brasil e no exterior.
–
Informações para a imprensa:
Adriana Roma
adriana@haproposito.com.br
+55 (19) 9 9816-6272





