O segundo dia do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), nesta quarta-feira (23), em Belo Horizonte (MG), aprofundou as discussões sobre os desafios da cotonicultura brasileira dentro e fora da porteira. Mercado internacional, perspectivas para a safra 2026/27, eficiência produtiva, manejo, qualidade da fibra, sustentabilidade e novas tecnologias estiveram entre os assuntos debatidos.
Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Congresso reúne produtores, pesquisadores, consultores, empresas, jornalistas e lideranças da cadeia produtiva em três dias de debates sobre ciência, inovação, mercado e estratégia.
Brasil no mercado global
Um dos destaques foi o painel “O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/27”, que analisou o cenário da próxima temporada e a posição do Brasil no comércio internacional.
As projeções apresentadas durante o CBA indicam uma área de 2,22 milhões de hectares em 2026/27, crescimento de aproximadamente 7% em relação à temporada anterior.
Os debates também abordaram a regularidade da oferta brasileira ao longo do ano, diversificação dos mercados, custos de produção, logística, clima e os efeitos do cenário geopolítico sobre o mercado de fibras. O desafio é combinar crescimento da produção com produtividade, qualidade, rastreabilidade e eficiência para ampliar a competitividade do algodão brasileiro.
Eficiência produtiva começa no manejo
Dentro da porteira, outra plenária técnica mostrou que elevar a quantidade de fertilizantes aplicada na lavoura não significa, necessariamente, aumentar a produtividade.
Pesquisadores e especialistas destacaram a importância de considerar características do solo, disponibilidade hídrica, desenvolvimento das raízes, ciclagem de nutrientes e histórico produtivo de cada área.
Resultados apresentados durante o Congresso reforçaram que as decisões sobre nutrição precisam considerar o sistema produtivo como um todo, com estratégias orientadas por dados e pelas condições específicas de cada propriedade.
Hubs conectam ciência e campo
A programação do segundo dia também contou com hubs técnicos dedicados aos diferentes desafios da produção.
Biotecnologia, manejo de lagartas e pragas sugadoras estiveram entre os assuntos da entomologia. Doenças foliares, controle biológico, edição gênica e bioinsumos também ganharam espaço nos debates.
Na área de qualidade da fibra, a programação passou por contaminação, desempenho do algodão brasileiro nas fiações, reciclagem, economia circular, microplásticos e análise do ciclo de vida da fibra.
Gestão, custos de produção, planejamento agrícola e tecnologias digitais completaram as discussões. Certificação e rastreabilidade também estiveram em pauta, incluindo o papel do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e de diferentes padrões de certificação no acesso aos mercados.
O conjunto das discussões reforçou uma das propostas do CBA: aproximar ciência, experiência prática e estratégia para responder aos desafios de uma cotonicultura que cresce em escala e participação no mercado internacional.
O 15º CBA segue nesta quinta-feira (24), no Expominas, com a programação do último dia. Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o evento é realizado pela Abrapa.
Acompanhe a programação, as notícias e a cobertura completa no site oficial do 15º Congresso Brasileiro do Algodão.
Confira também os registros oficiais do CBA no Flickr.
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Fonte: Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)




