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25/06/2020

Safra 2019/20 da cotonicultura familiar de produtores associados da Amipa evolui

Os pequenos agricultores recebem apoio da Associação e da Coopercat para enfrentar a pandemia na colheita manual e a retração do mercado comprador do algodão
Safra 2019/20 da cotonicultura familiar de produtores associados da Amipa evolui

A colheita do algodão familiar (safra 2019/20), no Norte de Minas, foi iniciada em meados de abril e deve prosseguir até setembro, com perspectiva de maior volume de produção e melhor produtividade em relação ao ciclo passado. Os desafios que marcam as atividades na região, como risco de contágio pelo coronavírus durante a colheita manual e retração no mercado consumidor do produto, vêm sendo superados pelos cotonicultores familiares filiados à Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e integrantes da Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat).

 

Assessor técnico da cooperativa, José Tibúrcio de Carvalho avalia que, mesmo com uma área plantada menor, de 540 hectares, a produção e a produtividade devem superar os indicadores da safra 2018/19, cujo plantio totalizou 664 hectares. “A redução de área na safra foi uma decisão da Coopercat, sendo um dos objetivos evitar o risco de endividamento e manter a capacidade de gestão, usando com responsabilidade o capital disponível”, informa.

 

Na avaliação do profissional, a região deve superar o resultado de produção da temporada anterior, de cerca de 1,1 tonelada de algodão em caroço, com a produção de mais de 1,4 tonelada, sendo mantido o mesmo patamar de rendimento de fibra alcançado na safra 2018/29, de 39,50%. A produtividade estimada deve chegar a 2.700 kg/ha, contra 1.686,56 kg/ha do ciclo anterior. O volume esperado de pluma, após o beneficiamento, é de 583,20 kg, com a produtividade na casa de 1.080 kg/ha. 

 

O campo não pode parar, diz Tibúrcio. Ele conta que a cooperativa é uma entidade que protagoniza a liderança técnica das atividades de 120 produtores familiares, que têm no algodão do Semiárido Mineiro a sua principal fonte de renda. Os pequenos agricultores se distribuem atualmente em 11 cidades, a maioria localizada nos municípios de Monte Azul (34), Catuti (29), Espinosa (21) e Mato Verde (15), outros em Gameleiras (7), Pai Pedro (5), Porteirinha (5) e um produtor nas localidades de Janaúba, Nova Porteirinha, Rio Pardo de Minas e São Sebastião.

 

Explica ainda que, se os cotonicultores do Norte de Minas cultivam variedades de alta qualidade e rendimento de pluma equiparadas às utilizadas pelos grandes produtores mineiros, é por causa do apoio e assistência recebidos da Associação e da sua mobilização junto ao governo de Minas, por meio do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas) e do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Algominas). São pilares, desde 2005, para a manutenção da cotonicultura na região, e parceiros da Amipa na implementação de novas tecnologias de produção e suporte em ações a cada safra.

 

Para o técnico, a perspectiva de bons resultados com a safra 2019/20 também se deve as outras importantes iniciativas da Associação, com o apoio do Fundo Algominas, como a irrigação de salvamento implementada em duas etapas, desde 2013. Foram instalados 31 kits de irrigação por gotejamento, sendo 21 deles custeados pelo Fundo Algominas e o restante cedido pela Fundação Solidaridad.

 

Outro ponto fundamental que ele cita é o apoio recebido da Associação por meio do Proalminas para manter à disposição da Coopercat veículo e combustível para viabilizar o atendimento presencial aos produtores da região, caracterizado por visitas às fazendas para suporte e orientação prestados por técnicos agrícolas. “Não fosse todo esse apoio, o cultivo do algodão familiar no Norte de Minas não teria se recuperado e atingido o número atual de produtores. A agricultura familiar é um trabalho de construção, porque o produtor planta sem crédito, falta crédito rural”, destaca.

 

Desafios para colher e vender

 

Os cotonicultores familiares da região do Semiárido de Minas Gerais são pequenos produtores que ainda fazem a colheita manual. Por causa disso, foi preciso buscar soluções para enfrentar um ano atípico. O desafio imposto pela possível contaminação por Covid-19 na realização das atividades somou-se à insegurança no escoamento da produção, face a uma esperada retração e lenta retomada de compra da commodity pelas indústrias têxteis estaduais, que absorvem praticamente toda a produção do Norte de Minas.

 

“Houve um período de receio com relação à contaminação pelo coronavírus, superado com ações efetivas de informação sobre os cuidados preventivos e os kits de colheita, também com doações de equipamentos de proteção individual para prevenção contra a Covid-19, entregues a produtores e colhedores em maio pela Coopercat, com apoio da Amipa e da Fundação Solidaridad”, afirma Tibúrcio.

 

Segundo ele, a Associação assumiu a consultoria para recomendar os EPIs adequados e a negociação de insumos a preços competitivos junto a revenda em Patos de Minas, região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, e a Fundação Solidaridad cedeu os recursos financeiros para a aquisição dos EPIs e outros materiais necessários para a composição de um kit de colheita.

 

Em maio, foram entregues 750 kits para produtores e colhedores envolvidos na colheita do algodão, cada um contendo uma unidade de protetor facial (viseira), luvas, botinas, marmita e garrafa térmica. Um dos beneficiados com o kit foi João José dos Santos (72), residente em Monte Azul, que trabalha como colhedor de algodão há 50 anos, a maior parte desse tempo em São Paulo e há nove anos em Minas Gerais. “Foi muito importante receber esses equipamentos, ia ser muito perigoso, acho que ia correr mais riscos. Do kit todo, além da viseira e das luvas, para mim foi muito bom receber as botinas”, comenta João.

 

Adelino Lopes (62), conhecido como “Companheiro Dila”, é produtor desde 1972 e há pouco se afastou da presidência da Coopercat, posição em que tem atuado por anos, para se tornar candidato a vereador. Tornou-se associado da Amipa, na época em que se deu a retomada do algodão na região. O ano foi 2005, em decorrência de um projeto de reinserção do algodão no Norte do estado, idealizado pela Amipa em conjunto com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), por meio do Proalminas. Alguns anos depois, Adelino assumiu como diretor regional Norte de Minas na Associação. Em abril deste ano, foi reeleito para um novo mandato, alongando o seu papel de representante da classe produtora local.

 

“Pretendia contratar 30 colhedores este ano, mas com a parada de compra pelas tecelagens, e também por causa de área separada para o teste de colheita mecanizada, esse número caiu para 15 pessoas. Todos estão trabalhando com protetor facial e outros equipamentos recebidos no kit, afastados uns dos outros, higienizando as mãos, estão sendo cuidadosos”, conta o produtor.

 

Na avaliação do diretor executivo da Amipa, Lício Pena, a comercialização da pluma produzida pelos agricultores familiares registrou grandes avanços ao longo dos anos do projeto. “Com o fim da participação do atravessador, esses pequenos produtores alcançaram a condição de igualdade com os grandes produtores empresariais. Passaram a vender a pluma para as indústrias têxteis, de acordo com a qualidade, recebendo o benefício do programa Proalminas, de [preço] Esalq + 7,85%, quando comercializada dentro de Minas Gerais”, esclarece.

 

De acordo com Lício, a Associação busca promover a comercialização justa da pluma do Norte de Minas, realiza todas as análises de HVI necessárias na filial da Amipa, a Minas Cotton e, muitas vezes, intermedia as negociações entre os produtores e a indústria têxtil.

 

Experimento de colheita mecanizada

 

Adelino já está com 50% do algodão colhido em duas áreas de algodão: uma pequena, com plantio irrigado, e outra maior, sequeiro, tem expectativa de obter 30.000 kg de algodão em caroço nos 14,5 hectares distribuídos nessas áreas. “Com o apoio da Amipa, a cooperativa conseguiu vender aqui em Minas três cargas com um total de 14.000 kg de algodão, já enviadas para Araçaí e Guaranésia”, informa o produtor. 

 

Adelino conta que parte da área maior está separada para teste com um protótipo de colheitadeira nos próximos dias. “O custo da colheita na produção do algodão é muito alto, a colheita mecanizada vai reduzir essa despesa para a gente. Da minha parte, vou tentar suportar um pouco do custo para ajudar o trabalhador rural a ter trabalho. Vou buscar outras formas também, talvez com plantios alternados na entressafra”, relata.

 

De acordo com Tibúrcio, o teste em questão é de um protótipo de colheitadeira acoplada em trator, desenvolvido pelos pesquisadores Odilon Reny Ribeiro e Valdinei Sofiatti, da Embrapa Algodão, que vem sendo experimentado em várias regiões de produção familiar no país, desde o ano passado.

 

O equipamento foi carregado em Campina Grande (PB), liberado pela Embrapa Algodão, e chegou a Catuti no dia 15 de junho (segunda), com o transporte viabilizado pela Amipa. “O custo da mão de obra na colheita manual gira em torno de 60%, sendo que na mecanizada representa 5% do custo de produção. Esse protótipo foi desenvolvido para uso em pequenas áreas de produção e vai reduzir custo e também a contaminação que pode ocorrer com a saca, ajudando a manter a qualidade do algodão”, informa o assessor técnico.

 

 

Créditos fotos: Coopercat (4); demais, Alberto Bouchardet

(1, 2 e 3) Atividades de colheita manual do algodão e sacas agrupadas no campo, em área do produtor familiar Neviton Freitas - Pai Pedro (MG)

(4) Kit Irrigação em lavoura do produtor familiar Dilson de Freitas - Mato Verde (MG)

(5) Entrega de kits colheita com EPIs em Pai Pedro, Norte de Minas Gerais

(6) Colhedor João Santos com EPIs do kit colheita do algodão em Catuti (MG)

 

Patos de Minas, 25.06.2020

Lorene Souza (17007)

Assessora de Imprensa

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